A neve começa
a cair em meio aos corpos dilacerados no chão, tingindo-se de vinho ao tocar as
poças de sangue que já começam a congelar; som nenhum é ouvido no bosque,
exceto pelos suspiros roucos de Lev e o ranger de minhas presas enquanto meus
instintos de fúria e ódio tomam meu corpo. Sasha por um segundo tenta me
segurar para que o pior não aconteça, mas ele sabe que não é sábio tentar
conter um obototen em frenesi. Logo meus olhos se preenchem com a cor do luar,
um branco pálido e ofuscante, o ultimo indicio de que minha consciência havia
sido subjugada pela minha ferocidade.
Os
demais sequer conseguem me acompanhar com os olhos; um único salto foi o
necessário para alcançar Gregor, que imediatamente solta a garganta de Lev e
tenta fincar suas garras no meu peito, mas antes que consiga sequer se
aproximar seu braço esquerdo já esta pairando no ar lançando jatos de sangue em
todas as direções. Não demora e Gregor esta ajoelhado a minha frente garnindo
sobre a poça de sangue que escorre incessantemente de seu braço amputado; logo
saciarei minha vontade, arrancarei a cabeça deste amaldiçoado sem hesitar e me
banharei em seu sangue era o que eu pensava. Ao sentir minhas intenções Viktor
e Sasha agarram meus braços me imobilizando, a única coisa que me resta é
gritar e urrar contra os dois ate que me acalme gradativamente; quando volto a
ter o controle do meu corpo novamente, aos poucos a besta se acalma vejo o que fiz;
Gregor agora esta inconsciente devido a perda de sangue; mas sinceramente
gostaria que Sasha e Viktor não tivessem me impedido, e que ao invés de
inconsciente ele estivesse morto.
Sasha
da os primeiros socorros a Gregor, que é novamente acorrentado pouco antes de
recobrar a consciência; mas dessa vez seu furor é transformado em medo quando
seus grandes olhos amarelados chegam a mim. Minhas feridas e rasgos são
tratados logo após, Sasha termina as de Lev, que mesmo sem o controle sobre
sua forma bestial parece reconhecer a ajuda dada pelo ancião. A noite se
estende e a neve começa a cair mais fortemente, eu e os outros dois velhos nos
preocupamos em manter uma guarda mais rígida, receosos de que um novo ataque
aconteça; mas ate próximo das quatro da manha o único som que ecoa no bosque
são o dos uivos dos aprisionados e do vento gélido que corta entre os galhos
das arvores como navalha.
Em
meio a noite algo me chama a atenção, um pequeno ponto mais a frente de onde
nos estávamos, onde a neve não cai; e todo e qualquer floco de neve que adentra
aquele ponto desaparece instantaneamente; não seria nada de anormal se não
tivesse visto uma pequena lebre ser sugada para dentro do lugar e sumir como os
flocos de neve ao se aproximar do mesmo. Atraído pelo ponto onde nada nem mesmo
o cheiro da terra parece existir ali me aproximo devagar; e aos poucos meus
passos pesados pela neve parecem se tornar mais leves quanto mais me aproximo
do local, mas para o meu azar não é a neve que esta em menor quantidade e sim
que a neve e ate mesmo eu estou sendo puxado para dentro da pequena área; mesmo
que com uma força facilmente contornável; me agacho e continuo a observar e de
dentro dela um leve brilho de tom azulado começa a preencher meus olhos; junto
a isto a força de atração aumenta e agora tenho que manter certa força e
resistência para não ser puxado.
A
pequena área parece se expandir enquanto Dimitri se afasta dela; tendo que
aumentar a cada segundo a força que usa para se afastar da área. Sasha e Viktor
logo percebem a mudança e o “puxão” dado pela área e rapidamente se põem em
prontidão esperando algo acontecer. O brilho azulado aumenta de tal forma que
chega a ofuscar a visão dos que ali estavam. Plantas e arbustos menores são sugadas pelo
pequeno espaço que cintila em um azul metálico cada vez mais forte; ate que a
atração inesperadamente se cessa para a surpresa de todos; mas com um brilho
ainda maior a área expele um grande objeto em meio a uma pequena explosão que empurra a todos. Ao voltar os olhares para a direção que o buraco estava, lá caído
agora se encontra um grande amontoado de ferro e aço que parece pulsar; e em
meio a este aço pulsante o rosto de uma pequena garota se esconde inconsciente.
(Fim P3 – Cвязь)
P4 – Conexão
P4 – Conexão
“Diário de
pesquisa dia 13/10/38.
Estamos
terminando o modulo de transporte, ainda não arranjamos um nome para ele; mas o
Marcelo sugeriu “Invader”, já a Barbara deu a idéia de “Nabucodonosor” já que
estamos em situação parecida a um filme antigo do século passado; mas eu fui
contra, é muito comprido para fazer um desenho na área externa! Enfim, ela hoje
me trouxe os planos de um novo gadget para o modulo, segundo ela é um
re-distribuidor de partículas estáticas no espaço; que eu comecei a chamar de
“Teleporte” assim que ela me explicou o que ele faria.
Ate agora o
modulo parece estável, não explodiu mais nenhuma vez e Marcelo esta quase
terminando a área de controle neural; todos estão empolgados para utilizar o
modulo!
Câmbio, desligando!”
(Fim P4 - Conexão)

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