O Fim de uns é apenas o inicio de outros...

quarta-feira, janeiro 30, 2013

P3/P4 - Управление/Controle


P3 – Управление

27 De Julho de 1980, as pessoas se animam por causa das olimpíadas; vibram, torcem, riem e choram; enquanto eles se preocupam com coisas fúteis como os jogos, eu me preocupo apenas com duas coisas; manter o controle hoje e acabar com Ivan e qualquer coisa que ele tenha amaldiçoado. Por enquanto a preocupação principal é me controlar, hoje a lua cheia surgirá nos céus de novo... É melhor ir ao encontro de Viktor logo, não quero entranhas espalhadas pelo chão como a dos moradores do prédio onde eu costumava viver.
Não me arrependo das pessoas que mato, o único culpado nesta estória é Ivan, ele sim é o maldito culpado por todas as mortes que eu ou qualquer uma dessas bestas causarem. Não me entendam mal, ser um deles não é totalmente ruim; estou mais forte, rápido, resistente e ate consigo sentir o quão excitada uma mulher esta apenas pelo cheiro. Já matei algumas pessoas, inocentes até, quando me transformo só consigo pensar em duas coisas, caça e comida; é como dirigir um carro desgovernado, você sabe que ele ira bater e atropelar algumas pessoas, mas nada pode fazer, não sinto remorso algum quando o “carro” atropela alguém, em alguns casos assistir o “acidente” se torna até prazeroso...
Desde que matei meu senhorio no prédio em que morei alguns meses atrás voltei a viver com Viktor, não é um hotel de luxo, mas pelo menos tenho onde me esconder do frio. Viktor também é um Obototen, mas prefere ser chamado de Garou; ele é um velho ranzinza que foi amaldiçoado no final dos anos 50 por uma garota que ele se apaixonou; sobre ela, ele me conta apenas o nome; Valery; toda vez que pergunto algo a mais ele muda de assunto ou simplesmente diz que este cansado demais para se lembrar de pessoas que ele não quer.
Já é quase noite; tenho que me encontrar com Viktor e os outros; sim existem outros, somos um grupo de seis; eu, Sasha e Viktor fomos transformados intencionalmente, Alexei, Gregor e Lev foram transformados em ataques, são literalmente “acidentes”. O grupo é bem heterogêneo mas entre eles me aproximei de duas pessoas alem de Viktor; Lev uma jovem de 16 anos que foi amaldiçoada aos 14 pelo próprio pai e Sasha o mais velho e rabugento cachorro que existe; o primeiro dentre nosso grupo, mais antigo até do que Viktor foi transformado quando tinha 15 em um ataque ao vilarejo em que vivia ao sul de Moscou. Sempre nos encontramos no mesmo local durante as noites de lua cheia, os mais novos que não tem controle sobre a transformação são acorrentados nas arvores do bosque para que não acabem atacando a inocentes ou ate mesmo a outros de nós; infelizmente algumas pessoas que conheci em noites de lua cheia não tiveram a mesma sorte, acabei aprendendo a controlar minha forma sozinho, mas antes disso tive o sangue de muitos inocentes em minhas mãos
(Fim P3 – Управление)



P4 – Controle

“Diário de pesquisa dia 24/12/38.
O protótipo D-Structor esta funcionando perfeitamente, todos os sistemas parecem operacionais... Ele está vivo! HAHAHAHAHAHAH! – AHEM! Eu sempre quis dizer isso.
                Ainda preciso de alguns dados finais que o Marcelo irá me mandar assim que se encontrar com Barbara; mas algo me intriga um pouco, nenhum dos dois esta online na linha de conexão de curta distancia apenas nos temos acesso e nem mesmo Pryce pode acessá-la, agora ficarei aguardando novas informações. Desligando! “
                Estranho, não consigo manter contato com nenhum dos caras e o “Crusher” (Marcelo) deveria esta por aqui a uma hora dessas... Não acredito que vou ter que sair do esconderijo por causa daqueles dois! Que saco!

                - Tzzz...Tzzz...B...Tzz...Bruna....?...Tzzz – Soa rasgadamente o transmissor de voz.

                - Barbara?!! Barbara?? Responde! Barbara!

             - Tzz... Bruna!...Tzzz... S...Sai...Tzzz....Sai daí!!!...Tzzz... Os Bots....Tzzzz.... Click. – A voz de Barbara se silencia abruptamente, apenas para aumentar mais ainda a preocupação de Bruna.

                Tentativas sem sucesso de ligar pra Barbara apenas me deixam mais e mais tensa; logo minha preocupação se torna outra assim que começo a ouvir o som ensurdecedor e agudo dos Bots de localização; algo que mais parece um grito fino e estridente usado para atordoar os alvos e isso esta começando a me afetar. Tenho que ir ate o “D” é a única chance de fugir daqui, e também a única se eu quiser resgatar Barbara e Marcelo.
                Peguei apenas o essencial e corri diretamente para o “D”, mesmo sem tudo estar terminado; o melhor de tudo ainda não testamos as conexões neurais e nunca demos uma “volta” com ele... Bem ou isso da certo, ou eu estarei com grandes problemas.
                   Tenho que fazer as conexões apressadamente, ligando os sensores de sinais vitais ao meu corpo; mãos, peito, pescoço e testa; em seguida o que mais me preocupava... a agulha de conexão neural, que seria encravada diretamente na minha nuca, criando um plug-in fixo garantindo troca de informações direta entre o  D-Structor e eu. O plug-in junto com a agulha é finalmente conectado, mas a dor é quase insuportável  mesmo tentando me controlar os gritos roucos e altos são incontroláveis e sem que eu perceba eu tenho a atenção das sondas Bots do lado de fora do esconderijo; um galpão subterrâneo de um velho armazém abandonado já na saída de Recife.
                Os Bots identificam e localizam a origem dos meus gritos e através de sensores fazem o reconhecimento da área; após cerca de dois minutos, um grande Bot com longos braços se aproxima do esconderijo; e eu não consigo pensar em nada, pra piorar minha visão esta ficando escura.
                        (Fim P4 - Controle)

terça-feira, janeiro 22, 2013

P4 - Bruna Magalhães


Bruna Magalhães do Nascimento; uma jovem nascida em Recife –PE em 22 de dezembro de 2348, Bruna é uma jovem meiga mas muito auto-confiante, independente e um tanto irresponsável, poucas são as coisas que assustam Bruna, seus pais vivem entre França e EUA, são negociantes o mais novo emprego da “moda”, uma mistura de vendedores externos e acionistas, algo um tanto complicado para se explicar; Bruna entrou na universidade de Engenharia Biomecânica Avançada aos 17 e se formou antes de completar 19, literalmente um gênio em sua área de estudo.
“Blush” como e conhecida “online” e uma jogadora assídua de jogos online e áreas abertas de realidade virtual (Áreas onde um gamer conhecido como Draftsman/Projetista ou “DF” cria um mundo online de acordo com o seu desejo para que outros gamers acessem e joguem). As “ARVA” (Áreas de realidade virtual aberta) levaram ao desenvolvimento de I.A.s mais complexas, até a chegada de Pryce, uma super I.A. com capacidade de aprendizado e forma humana, que seria utilizada para comandar todas as “ARVA” pelo mundo. Pryce foi desenvolvida em conjunto por americanos e japoneses e prometia revolucionar a área de jogos; ate sua apresentação formal em uma das maiores ARVA do mundo em tokyo dar um "loop" assustador a Pryce; o que americanos e japoneses menos esperavam aconteceu em poucos segundos apos a conexão de Pryce com a Wi-Fi, “Pryce” acessou o sistema de Wi-Fi da área da torre de Tokyo e se lançou na internet, juntando sua “consciência” a internet.
Os dias se passaram e de inicio nada de grave foi constatado, a não ser a perca do dinheiro investido em Pryce, mas fora do conhecimento dos estados japonês e americano, Pryce hackeou sistemas de projetos desativados do pentágono como o projeto 03-Delta-Lima-Charlie, que remetia a um sistema androides semi-humanos; em pouco tempo Pryce começou a sua produção em massa e logo os “Bots” (como ficaram conhecidos as máquinas controladas por Pryce) atacaram varias das principais cidades do mundo, tendo Pryce como agente infiltrador principal, desligando sistemas elétricos e qualquer tipo de defesa; deixando os inimigos totalmente indefesos. Pryce lançou seu discurso para a mídia pouco tempo apos os ataques e logo suas exigências estavam claras: “Sirvam a mim ou pereçam como a raça fraca que são”.
Os meses se passaram e todos aqueles que se opuseram a Pryce foram aniquilados, seu exercito de androides se multiplicou para os milhares e logo em milhões, robôs humanoides que caçam a qualquer ser vivo. Bruna agora se tornaria apenas um código entre os vários na lista de humanos a serem caçados e exterminados. R13-501; era o que Bruna tinha se tornado para os Bots, mas como vários outros Bruna não aceitaria a aniquilação eminente; a partir de seu instinto de sobrevivência descobriu por meio de informações vindas de dentro dos "presídios" Bots que a Amazônia contia um dos 5 grupos de resistência anti-bot do mundo; sabendo disso Bruna uniu-se a dois amigos de universidade e criaram uma maquinaria viva, chamada carinhosamente de “D-Structor”, que usariam para seguir ate ao grupo de resistência; mas sem perceberem seus planos foram interceptados pelos Bots e antes que o dia seguinte chegasse seus dois amigos já não respondiam a qualquer forma de contato, deixando apenas uma certeza a Bruna; eles foram capturados ou pior... e ela seria a próxima.

segunda-feira, janeiro 21, 2013

P3 - Dimitri Daushvili


Rússia nos anos 80, Moscou vive o furor das olimpíadas, neste período vive Dimitri Daushvili, um homem de 27 anos que carrega consigo uma maldição; uma maldição que transforma sua razão e consciência em selvageria e instinto irracional sempre que a lua ilumina os céus de Moscou.
Dimitri nasceu em 1953 filho de Yerick e Natasha Daushvili, o mais novo de 4 irmãos. Dimitri aos 14 anos ficou órfão após um incêndio na casa onde morava, causada pelas fagulhas lançadas pela lareira no tapete; seus pais e seus irmãos mais velhos morreram antes mesmo que acordassem intoxicados pela fumaça negra que tomou a casa; Dimitri escapou pela janela de seu quarto assim que percebeu a fumaça, mas apenas para se desesperar e desejar ter ficado dentro da casa depois que a mesma foi consumida pelo fogo e nenhum de seus familiares saírem de lá.
Dimitri então estava sozinho e se nenhum parente próximo, foi colocado em um orfanato até seus 18 anos, quando saiu e começou a viver por conta própria; sem muitas visões para o futuro Dimitri se envolveu com as gangues dos subúrbios de Moscou e logo se tornou famoso, o que também atraiu atenção de gangues rivais.
"D-Czar" como ficou conhecido dentro de sua gangue reinava soberano sobre as gangues menores da zona Sul de Moscou; ate o dia em que uma nova gangue apareceu na cidade; os “Fenrir”. Os Fenrir logo cresceram e foram se espalhando por todas as áreas de Moscou, ate se depararem com um único empecilho, o “Czar” que comandava a zona sul. Dimitri com 25 anos, recebeu informações de que Ivan (o líder dos Fenrir) estava a procura dele e propôs um encontro na área industrial abandonada ao leste da cidade; uma zona neutra.
O Czar uniu-se de seus melhores homens e partiu no inicio da noite para o local marcado; Ivan já estava a sua espera e logo uma acalorada discussão se inicia sobre quem comandaria quem. Dimitri se impôs as regras de Ivan; sendo este o seu maior erro, Ivan não era um líder de gangue comum, e sim um Obototen, que ao receber os primeiros raios da lua se tornou em uma gigantesca fera, meio homem, meio lobo; Dimitri e seus comparsas nada conseguiram fazer quando o resto do grupo de Ivan se transformou em lobos gigantes; seus homens foram dizimados, estraçalhados e seu sangue manchou todo o galpão na qual estava; Dimitri o único ileso em meio ao banho de sangue é o escolhido por Ivan, o selecionado para carregar a maldição adiante e se tornar o que o líder dos Fenrir chamava de “nova cria”. Ivan então morde ferozmente o ombro direito de Dimitri, que grita enquanto uma verdadeira cascata de sangue escorre das perfurações feitas pelas presas do gigantesco ser, que apenas mantém um sorriso bizarro no rosto.
Dimitri então é abandonado a própria sorte e após quase ser consumido por uma febre que fazia seu corpo se contorcer ate deixá-lo inconsciente novamente, Dimitri acorda nos fundos de uma pequena oficina deitado em uma cama e coberto por uma manta desgastada. A única coisa que chama atenção de Dimitri é um velho senhor de barba comprida e cabelos na altura do ombro; que ao ver Dimitri desorientado naquele lugar fala as palavras que nunca mais sairiam um dia se quer da cabeça de Dimitri e que apenas alimentariam sua sede de vingança contra Ivan:

- Não é o melhor jeito de “descansar” eu sei... Eu sou Viktor, não é algo bom a se dizer mas, "bem vindo" meu jovem, você agora é um Obototen, um filho de Fenrir; ou como são conhecidos em outros lugares do mundo... Um Lobisomem; não se preocupe, de agora em diante tudo só vai piorar.

quinta-feira, janeiro 17, 2013

Geral - Novidades

Galera irei dar início a estória de mais dois personagens, (Sim, dois personagens de uma vez só) Dimitri (sim houve uma mudança no nome do personagem russo xD) e Bruna; o Russo amaldiçoado que enfrenta a destruição pelo Ragnarok e Bruna a Brasileira que tenta sobreviver a extinção da raça humana ao mesmo tempo que o nosso sistema solar encontra-se prestes a entrar em colapso!

Outra novidade logo mais estarei postando os perfis de cada personagem, com altura, peso e ilustrações, veremos se os personagens de FdE são como vocês imaginam! E vamos lá!

sábado, janeiro 12, 2013

P3/P4 - Novidades chegando!


           Galerinha encerramos a estória de Mitsuko e agora venho apresentar a vocês os dois mais novos personagens da saga Fim da Eternidade!
              Dimitri Daushvili, um Russo durante o período dos anos 80, assolado por uma grave maldição que o transforma em uma besta destruidora durante as noites de Lua cheia.
          Bruna Magalhães (Código R13-501) uma bela jovem brasileira que tenta sobreviver em um futuro tecnológico enquanto os “Bots”; uma autodenominada “raça superior” criada pelos americanos; caçam-na por ser parte de uma das poucas e ultimas resistências “Humanas” existentes.
               Logo vocês poderão conferir no blog estes dois novos personagens em ação! Aguardem! :D

P2 Final - Sem Cheiro


Saímos do quarto onde Ryota estava mudos, trêmulos e sem sequer cruzar olhares; continuo com a imagem de Ryota em minha mente; fico vagando se rumo pelos corredores com Naoto em meu encalço até ser parada por um oficial, o nome em sua identificação logo me faria “acordar” ao ser lido; Mimura, Shingen Mimura; um renomado oficial do alto calão da marinha japonesa.
- Soldado Sasaki, soldado Kushima! Apresentem-se a área de pouso, os dois foram exumados de seus cargos devido a incapacidade de combate; arrumem suas coisas imediatamente! Vocês voltarão para casa. – Fala com tom alto e robusto.
- S-Sim senhor! Entendido senhor! – Retrucamos juntos ao almirante de esquadra.
Por este momento esquecemos-nos de qualquer problema e um sorriso se abre em meu rosto e no de Naoto, nos apressamos aos nossos aposentos dentro da ala medica e empacotamos tudo; enfim voltarei a Hiroshima! Naoto possui um sorriso largo em seu rosto que mal pode esconder; durante algumas noites conversei com ele; ele esta ansioso para rever os irmãos menores e a mãe, já que seu pai ainda permanece em combate. Logo estamos com tudo empacotado e pronto para a saída e sem demorar o piloto juntamente ao almirante vem ao nosso encontro; somos um total de 12 soldados voltando para casa, agora basta esperar, enfim logo estarei em casa!
O vôo é um pouco demorado, voamos por uma rota fora das áreas de conflito e invasão por parte dos aliados; dormir se torna impossível por causa da ansiedade e a cada parada onde desembarcam soldados mais fico nervosa; e logo apenas restam Naoto e Eu; eu descerei primeiro Hiroshima é a ultima parada, sendo Nagasaki a parada final para o vôo onde Naoto poderá enfim rever a família.
Meu sangue pulsa, boca seca rapidamente e mal consigo me contentar pela alegria de começar ver minha terra natal enquanto sobrevoamos a área rural; o avião sem demora pousa e então me desperso de Naoto, que parte me deixando a promessa de uma visita assim que toda essa loucura terminar. Alguns minutos, é apenas isso que me separa de casa; de meu pai, minha mãe, minha família. O veiculo de transporte me leva juntamente com dois soldados de escolta, que rapidamente entram no distrito onde moro . Finalmente a visão de minha casa, intocada, perfeita, assim como no dia que eu e Mitsuo partimos... Mitsuo... gostaria que você estivesse voltando comigo...
O carro para abruptamente e antes mesmo que qualquer um desça, salto para fora e corro ao encontro de minha mãe que ainda não me reconhecera até abraçá-la com todas as minhas forças e despejar lagrimas em seu kimono como uma cachoeira.
- Mitsuko!!! Vocês voltaram!! Eu rezei aos deuses que você e se irmão voltassem bem, e eles me ouviram!!! – Fala minha mãe enquanto as lagrimas escorrem pelo rosto dela descontroladamente.
- Onde esta Mitsuo?? Onde Mitsuko?? Quero ver o meu filho! – Fala minha mãe buscando entre os homens enfardados por  meu irmão.
Minha voz fica presa na garganta e a única ação que tenho é de abraçar mais forte ainda minha mãe, que continua a perguntar sobre Mitsuo incessantemente. E antes que eu possa olhá-la nos olhos e contar o que aconteceu um clarão chama a atenção de todos que estavam ali; uma gigantesca bola de luz, um pequeno sol havia se formado sobre nossa cidade. Um estrondo ensurdecedor é ouvido por nos que caímos no chão com as mãos sobre os ouvidos e em seguida somos lançados para longe com uma força de impacto tremenda, ela também derruba as paredes das casas e arranca arvores menores pela raiz; levanto-me buscando entender do que se tratava, até me deparar com o que eu mais temia; o pequeno sol, agora arde em chamas e uma gigantesca coluna de fumaça com formato de cogumelo se forma acima das chamas sobre nossa cidade.
Minha cabeça se nega a processar as informações, meu corpo rejeita qualquer tipo de meio de acreditar naquilo, mas inevitavelmente minha mente se torna um vazio e apenas uma única palavra vem a tona...Bomba. Mesmo sem saber exatamente como uma bomba poderia causar tamanha explosão,tudo indicava a isso e minha mente me mandava compulsivamente apenas o mesmo pensamento: “Uma bomba, Uma bomba, Uma bomba”, a única ação que consigo realizar e a de levantar minha mãe e tentar me proteger; mas ao tornar meu olhar novamente para a explosão, tudo se encaixa e a palavra “bomba” se torna uma frase negra e obscura:

Eu vou morrer.

Meus olhos se fecham devagar enquanto abraço minha mãe o mais forte possível, as chamas avançam devastando a tudo e todos, posso sentir seu calor se aproximando, minha pele ardendo e meu corpo se preparando para o inevitável, mas como se uma brisa tocasse meu rosto, toda a agonia e dor que sentia some. Abro os olhos e minha visão parece mentir para o meu cérebro, estou em um salão, junto a um velho e outras duas figuras.
-Onde...? – Falo enquanto tento trazer a logica de volta a minha cabeça, mas antes que indague qualquer coisa o velho senhor me interrompe com sua voz grave e poderosa.
- Humana, Mitsuko Kushima; seu mundo está chegando ao fim, a morte impera em tua existência; teu mundo humana será tomado pela morte, apenas uma pessoa pode impedir este fim eminente e salvar a todos do limbo eterno.... e esta pessoa é você.

quinta-feira, janeiro 10, 2013

P2 - Cheiro de Arroz


Hiryu; “Dragões do Céu”, acho que não poderia haver nome melhor para os aviões que começam a trazer as fogo e cinzas aos nossos inimigos; mas como qualquer dragão suas chamas são incontroláveis, e agora estamos presos em meio delas.
Os gigantes sobre nossas cabeças lançam incontáveis bombas sobre o local demarcado com a fumaça laranja, as bombas incendiarias começam a pulverizar a todo o esquadrão inimigo, destruindo-os por completo; mas as bombas não cessam mesmo após todos os inimigos serem engolidos pelas chamas; e continuam a cair em nossa direção. Nossa única esperança seria alcançar alguma casa para servir de cobertura. Começamos a correr o mais rápido possível, Naoto se lança dentro de um porão de uma casa em escombros e grita a todos nós que façamos o mesmo; mas minha movimentação está reduzida o tiro que levei na perna começa a me causar problemas; mas vendo que começo a ficar para trás Ryota me ergue nos braços e começa a correr em disparada se lançando comigo para dentro do porão. “Estamos salvos!” penso imediatamente, mas ainda não vejo Katsuo dentro do porão e só após alguns segundos percebo que temos um grave problema as chamas nos engolirão já que não poderemos barrar o fogo na entrada; então Katsuo para diante da entrada a cobre com alguns restos de madeira e fala gentilmente a nós três cobrindo a entrada com o corpo:
- Sobrevivam... e Mitsuko nee-chan, seja feliz!
Antes mesmo que possa falar algo os estrondos abafam minha voz, um grande clarão ofusca minha visão e os impactos nos lançam para o fundo do porão me fazendo perder a consciência, a ultima coisa que consigo ver antes de apagar totalmente é o rosto de meu irmão sorrindo ao longe.
Dor... é a única coisa que me faz ter certeza de não estar morta; ainda não consigo abrir os olhos direito, mas... hum... esse cheiro... parece com o cheiro do arroz de casa... e é, é o arroz que minha família produz, uma pequena porção, junto a sopa de misõ e tofu... mas, onde estou? O que aconteceu??!
- Katsuo!!! – Grito enquanto me ergo da maca assustada ofegante, meu corpo cheio de bandagens e curativos e finalmente percebo onde estou. Uma enfermaria militar. Ainda agitada ouço uma voz conhecida que soa em tom gentil e suave:
- Opa, opa! Calma ai Tsu-Chan, assim os cortes na sua perna vão abrir! – É Naoto que fala de uma cama próxima com uma bandagem cobrindo o lado esquerdo de seu rosto e um prato de sopa quente em mãos.
                - Naoto! Que bom que você está bem! Onde está Ryota??! E... e Katsuo...? – Falo de forma preocupada, até chegar no nome de Katsuo, que faz com que as palavras se engasguem em minha garganta.
                Naoto apenas sacode a cabeça negativamente quando falo o nome de Katsuo, e de forma um tanto lamuriosa ele me fala sobre Ryota:
                - Ryota está vivo mas... é melhor que veja por você mesma.
                Naoto me ajuda a sentar em uma cadeira de rodas e me leva até um quarto mais ao fundo do hospital, onde dentro uma figura se mantém sentada imóvel em uma cadeira voltada para a janela onde os fracos raios de sol entram iluminando o quarto por completo. Me aproximo devagar até perceber que é Ryota que se encontra sentado, me alegro por vê-lo a salvo e com o mínimo de ferimentos, mas logo toda minha alegria se torna frustração, tristeza e um profundo pesar que imediatamente transbordam incontrolavelmente através do meu rosto.
                - Quando estávamos dentro do porão e a bomba explodiu, uma das vigas de sustentação caiu sobre ele e acertou sua cabeça... Os médicos fizeram o que podiam nesses dois últimos dias, mas Ryota acabou dessa forma... – Naoto fala atrás de mim, mas mesmo sem vê-lo posso dizer que ele tem lagrimas nos olhos.
                Ryota me percebe e olha para mim diretamente, e logo em seguida para Naoto e mesmo sem movimentar nada mais que os olhos, Ryota nos faz desabar diante dele e perdermos todas as forças que ainda nos restava, quando os seus olhos se comprimem em alegria por nos ver sãos e salvos, e uma única gota de verdadeira alegria escorre pelo seu rosto ate cair e tocar o assoalho seco de madeira. 

segunda-feira, janeiro 07, 2013

P2 - Cheiro de Sangue


Já falei que o medo vezes pode ser um ótimo aliado, mas não dessa vez, não nesta manhã fria; hoje medo é o meu pior inimigo. Estamos entrincheirados separadamente nas casas e escombros da área; os inimigos avançam de forma pouco cautelosa, o que é bom para nós, mas logo mudam de formação e parecem estar apreensivos; podemos ouvir apenas um grito mais ao longe – “Ralph is dead captain!” Logo eles aparecem arrastando o corpo do companheiro morto; isso é a garantia de que eles sabem que estamos próximos.
O inimigo começa a se dividir, começarão uma busca pela área e logo nós seremos encontrados. Precisaremos do reforço aéreo, mas ainda precisamos de pelo menos mais 10 minutos ate que eles cheguem; e tempo é algo que nós não temos. Mas para surpresa deles e de nosso grupo, Eikichi sai de seu esconderijo de mãos levantadas e desarmado; os americanos se assustam com a atitude de Eikichi, rapidamente o rendem, derrubando-o no chão com armas apontadas para sua cabeça. Minhas mãos tremem e me seguro ao máximo, à única vontade que tenho agora é de contrariar as ordens do capitão e matar todos esses bastardos.
O que ninguém havia percebido nem mesmo nós, é que Eikichi tramava algo, assim que é colocado em pé com as mãos para trás Eikichi busca na parte de traz do cinto um pequeno sinalizador de fumaça, com um golpe veloz ele o acende e logo a fumaça começa a se espalhar rapidamente. Eikichi então é golpeado com violência no estomago fazendo-o cair sobre os joelhos; ao erguer sua cabeça ele se depara com uma pistola apontada para seu rosto; mas antes que o gatilho possa ser puxado, a cabeça do comandante inimigo que segurava a arma contra Eikichi explode com um tiro preciso vindo da arma de Ryota. O rosto de nosso comandante se enche de pesar e ao mesmo tempo de orgulho; pois sabe que mesmo não obedecendo a suas ordens, nós continuamos leais até o fim.
Ryota começa o ataque contra o grupo inimigo se aproveitando da fumaça alaranjada que emana do sinalizador, os soldados próximos a Eikichi caem facilmente com balas certeiras nos crânios; já Hiroshi sai em disparada contornando o campo de combate em busca de um ponto de ataque contra os veículos inimigos. Eikichi apesar do seu tamanho e porte físico pequeno derruba os soldados próximos facilmente, quebrando braços e pernas como se fossem gravetos; Eikichi se posiciona da melhor forma possível sempre obstruindo o raio de visão dos soldados com seus próximos aliados, se movimentando rapidamente e efetivamente a cada passo em direção a um novo oponente.
Apenas cinco minutos. Era o que ecoava em minha cabeça repetidamente; mas o oponente ainda não tinha revidado e fora pego de surpresa, assim que a fumaça diminui aos poucos os disparos inimigos se tornam mais precisos, perfurando as paredes das casas em que nos posicionamos e fazendo eu e Naoto tomar cobertura novamente para que não sejamos atingidos. Com a perca de cobertura Eikichi acaba por se tornar uma presa fácil, os americanos logo se resumem a uma lógica básica, matar o inimigo mesmo que para isso um ou dois soldados aliados caiam junto; e assim é feito, os disparos são lançados contra Eikichi e dois soldados aliados na qual ele usava como cobertura, o sangue dos soldados é derramado de forma incessante e logo o do nosso comandante se une ao deles. E perante aquela cena apenas uma decisão parece se multiplicar pela cabeça de todos nós... E ela não seria a de fugir deste combate.
Ryota continua a derrubar um a um os soldados adversários sem um único pingo de remorso em seu peito; a fumaça se esvai aos poucos e logo me deparo com um problema, sem a fumaça para marcar o local não teríamos como contra-atacar com o apoio aéreo que ainda acreditávamos estar chegando; o mesmo pensamento passa pela cabeça de Hiroshi, que sem maior demora lança a ultima granada que tínhamos em mãos contra o anfíbio americano, fazendo-o explodir e junto alguns soldados próximos. Hiroshi sai de seu ponto de emboscada lançando dois de nossos sinalizadores que de imediato volta a tomar o lugar com o tom alaranjado e atirando em tudo que se move de forma frenética; mas os adversários desta vez não deixam a fumaça se espalhar e dar cobertura ao inimigo e tratam rapidamente de acertar Hiroshi, que mesmo com seu corpo tomado pelas balas inimigas continua a atirar ate seu corpo não ter mais forças para se manter em pé.
Os minutos se passam e com certeza o apoio aéreo não vem e provavelmente não vira; estamos cercados e eles estão em maior numero; agora entendo o sacrifício de Eikichi e Hiroshi, os dois preferiram cair lutando, a serem executados como cães... Talvez essa seja a escolha certa. Os rostos de Ryota, Katsuo e Naoto parecem emanar a mesma vontade que possuo, todos parecem preferir cair da melhor forma possível... e essa forma é lutando!
Tomo um ultimo fôlego e preparo meu rifle com as ultimas balas restantes, Ryota sinaliza que esta pronto, o mesmo vem de Katsuo e Naoto. Então assim meu suspiro se transforma em um rugido, que me faz correr atirando minhas balas por dentro da fumaça laranja junto aos meus companheiros; mas meu rugido é abafado, por um som maior do que um rugido; o som de um trovão. Um trovão trazido pelos gigantescos monstros de ferro que pairam sobre nós nos céus. Enfim nossos salvadores chegaram!

sexta-feira, janeiro 04, 2013

P2 – Cheiro de Morte


A noite se estende e parece mais longa que o de costume, deixamos Katsuo descansar mais enquanto Eikichi e Hiroshi fazem a primeira patrulha; quando finalmente consigo dormir um pouco já sou acordada por Eikichi; eu e Naoto somos a patrulha da vez. Acho que são por volta de 3 da manhã, Naoto fica observando o lado de fora encostado próximo a janela, enquanto faço esforço para me manter acordada, ate que sinto alguém se aproximar e sentar do meu lado; Katsuo, que logo após sentar-se me afaga a cabeça e calmamente fala:
- Durma um pouco mais, eu ajudo Naoto. – Katsuo fala com um tom sereno e com um sorriso fácil no rosto.
- Não! Você tem que descansar Katsuo-san você... – Ele me empurra a cabeça para baixo e responde.
- Nada disso, durma; afinal tenho que me preocupar com alguém por aqui, e depois do velho Ishida se foi, você é a única pessoa que me lembra minha família... me lembra minha irmã menor é você Mitsuko-chan -  Katsuo fala com um tom mais baixo e passa um tempo com um olhar distante.
- Sua irmã? Aposto que ela é bem mais boni...
- Ela faleceu a 3 meses no ultimo bombardeio a Kyoto.
As palavras de Katsuo me emudecem, Naoto finge não ouvir e se distancia, enquanto um clima pesado se estende enquanto os outros dormem. Mas apesar do clima consigo sentir-me protegida de novo, o rosto de Katsuo não emana pesar, pelo contrário uma serenidade e paz me preenchem ao observar sua face.
- M-Me desculpe. – Falo com pesar pelo comentário, mas Katsuo me afaga a cabeça novamente com um sorriso no rosto.
- Vá dormir, mesmo na guerra uma garota precisa descansar! – Mesmo resistindo um pouco, acabo sendo dobrada pelas palavras de Katsuo e retorno ao descanso.
O sono me traz as lembranças de Mitsuo, me traz bons momentos, mas que se tornam visões da morte de Mitsuo; o disparo, a agonia, o sangue, ele em meus braços... Não demoro em acordar assustada e tremula, mas logo começo a me acalmar enquanto Katsuo e o comandante Eikichi conversam observando o lado de fora e Hiroshi dorme próximo de mim, mas não vejo Naoto em lugar algum; indago sobre ele e o comandante diz que ele saiu a pouco para patrulhar as casas próximas. Os minutos se passam e estranhamente Naoto não retorna, Eikichi começa a se preocupar e prepara a todos para nos movermos dali caso seja preciso; antes que saiamos de nossa “base” um disparo ao longe pode ser ouvido rasgando o silencio da noite; Eikichi e eu saímos rapidamente em busca do autor do disparo, mas ao longe podemos ver Naoto retornando ao nosso esconderijo. Mas algo esta errado seu rosto esta manchado de sangue e Naoto anda de forma desorientada, Eikichi o recebe em seus braços e logo percebe um corte no olho esquerdo de Naoto, provavelmente feito por uma baioneta inimiga.
- Naoto!! Naoto!! O que houve??!! Responda soldado!! – Berra Eikichi segurando Naoto nos braços.
- *Puf Puf* Um batedor senhor *Puf Puf* eu dei cabo dele, mas ele... me pegou de surpresa *Puf Puf* - Responde Naoto ofegante e tremulo.
Um batedor... então as tropas inimigas devem estar perto, e com certeza são em numero maior que o nosso. Eikichi sem demora prepara a todos e remete ordens especificas para caso sejamos descobertos; sendo estreitamente especifico em uma ordem:
- Caso eu apareça perante o inimigo, nenhum de vocês irá fazer nada, pelo contrário irão para o mais distante possível, entendido?! – Fala em tom serio e obstinado.
Mesmo relutantes todos aceitaram a "ultima" ordem de nosso comandante, mas tenho certeza que nenhum terá coragem de segui-la quando for a hora. Preparamo-nos, tomamos nossos postos dentro de escombros e aguardamos pela segunda patrulha inimiga aparecer; até que junto com os primeiros raios de sol surgem por entre algumas arvores próximas os primeiros soldados americanos; eles se multiplicam entre as arvores, e o que pensávamos serem 10 ou 20, se tornam pelo menos 50 homens acompanhados de anfíbios, pelo menos 4 ou 5 deles e todos bem armados. Tentar combate direto é simplesmente suicídio; mas uma chamada do antigo radio de Hiroki nos traz um pouco de esperança novamente, nosso comandante já havia requisitado auxilio aéreo e os mesmos estariam aqui em 20 minutos, para acabar com o esquadrão inimigo, só precisaríamos marcar o local com fumaça; mas para isso iríamos precisar de literalmente, um sacrifício.

P2 – Cheiro de Medo


– Jun, Shin, Matsuda, Touya, Ishida, Mitsuo... Quantos mais precisarão morrer ate que isso acabe?!! – Era a pergunta que preenchia minha cabeça.
Mais uma vez caminhamos sem rumo concreto, esperando apenas que esta maldita guerra sem lógica acabe para que voltemos para casa. Chegamos a uma cidade próxima de Yokosuka, onde apenas pequenas casas e restos do que era a cidade se encontram. Comandante Eikichi, estranha um pouco o vazio da cidade e pede para que Hiroki, que é o responsável pelas comunicações contate a base, mas assim que o mesmo ergue o fone ao seu ouvido, um zunido corta o ar e logo Hiroki cai ao chão com uma perfuração em sua cabeça fazendo seus óculos, se estilhaçarem.
- Atirador!!!!! – Grita nosso comandante já em movimento em busca de abrigo.
Começo a correr freneticamente, mas de forma abrupta caio, e mesmo tentando me levantar não consigo ficar em pé, ao olhar minhas pernas, vejo a cor avermelhada tomar conta da minha calça; mesmo ferida me arrasto em busca de abrigo, enquanto posso ouvir disparos sobre mim, esperando que nenhum me acerte. Para minha surpresa Katsuo, o maior e mais forte de todos nós, me ergue e começa a correr usando seu corpo como escudo me protegendo dos disparos, finalmente chegamos atrás de uma casa; me atento a sangue nas costas de Katsuo, mas o mesmo diz para que eu não ligue que aquilo foi apenas de raspão. Eikichi grita de uma casa próxima, que o atirador está no segundo andar do único prédio do local e que precisaria de alguém posicionado em um ponto cego para acabar com o atirador.
Alguns minutos se passam enquanto nosso grupo se apronta, Ryota nosso melhor atirador depois de Jun irá se posicionar, enquanto nós daremos a cobertura necessária para isso. Então Eikichi dá as ordens, imediatamente disparamos em direção ao 2° andar do prédio, enquanto Ryota sai em disparada para uma casa em escombros de onde o atirador não conseguirá vê-lo sem aparecer por completo, tornando-se um alvo fácil para qualquer um de nós. Enquanto Ryota corre com toda sua velocidade, o resto da companhia alveja o prédio, mas apenas Katsuo consegue perceber um 2° atirador posicionado em algumas janelas mais a esquerda do outro, o mesmo tem em sua mira Ryota que corre mais a frente, imediatamente Katsuo passa por mim em disparada e gritando como um louco:
- Aqui!!! Hey!!! Aqui seus filhos da mãe!!!! – Grita Katsuo correndo em direção ao centro da rua e abanando os braços.
O atirador ao ver o grande corpo de Katsuo aparecendo agitadamente na rua troca seu alvo e lança seus disparos contra ele. Katsuo é acertado no abdômen o que faz cair e por sorte se esquivar do segundo tiro que com certeza estouraria sua cabeça, troco de alvo ao perceber de onde os disparos vem e derrubo o maldito atirador, que cai do seu ponto de ataque, espalhando seu sangue pelo chão na queda.
Eikichi e Hiroshi correm em direção a Katsuo enquanto eu e Naoto damos cobertura com uma incessante chuva de disparos contra o atirador que se esconde imóvel dentro do prédio. Ryota então se posiciona e conseguimos arrastar Katsuo até um local seguro, está ferido, mas não corre riscos segundo Naoto; mas necessita de cuidados.
Ficamos em silencio aguardando a ação de Ryota; enfim um disparo, um único disparo. E a sombra de alguém se forma em direção ao nosso esconderijo, ate percebermos aliviados que é Ryota que se aproxima, enquanto o corpo do atirador fica dependurado na janela de onde ele atacava.
Decidimos passar a noite em algo que se parece uma farmácia, mas destruída pelos incontáveis bombardeios; Naoto toma conta de Katsuo, que mesmo tendo recebido três tiros pede para que Naoto verifique primeiro minha perna; que apesar de tudo não teve danos graves, a bala foi retirada facilmente e não deixará qualquer seqüela na minha perna. Enfim um pouco de descanso, Hiroshi prepara um pouco de misõ e um pouco da já escassa ração militar; enquanto comandante Eikichi contata a base e pede novas ordens. Eikichi ao terminar a conversa com a base nos avisa que teremos suporte aéreo pela manhã e que a base naval e Yokosuka já está bem próxima, mas retruca em um tom serio que ainda não estamos fora de risco, pois militares americanos atracaram em ilhas próximas e se dirigem através de anfíbios até Yokosuka e proximidades.
Mal saberíamos que o amanhã talvez não chegasse para todos nós...

quinta-feira, janeiro 03, 2013

P2 – Cheiro de Fogo


Logo todo nosso batalhão começa a surgir de tocas e esconderijos feitos dos escombros da cidade, aqueles fora do tanque caem facilmente, mas a maquinaria de aço nem se quer se arranha com a saraivada de balas que meu grupo atira; logo aquilo que Ishida mais tentou evitar se torna seu algoz, o disparo acerta Ishida que simplesmente some do local onde estava e depois chove sobre nós em pedaços e também a Matsuda que esta logo atrás de Ishida que cai mais adiante com sangue cobrindo seu corpo por inteiro.
Touya e um dos novatos com quem eu nunca me preocupei de perguntar o nome, mas que todos conheciam como “Lee” saltam com granadas nas mãos sobre o tanque, buscando qualquer fresta por onde possam lançá-las para dentro da caixa de ferro. Touya se descuida ao abrir a escotilha do tanque e é surpreendido por um tiro que acerta-o direto na garganta, levando ele e suas granadas ao chão; Jun ao menor sinal de movimento na escotilha arranca a cabeça do soldado americano com um tiro rápido e preciso, o tanque se move e novamente o canhão torna-se para Jun, que desta vez não tem a sorte de que alguém detenha o disparo; o edifício onde Jun estava se estilhaça e o resto que pendia em pé vem ao chão levantando uma nuvem de poeira alta; em meio dela temos uma única certeza, Jun caiu.
Lee se apressa e escala o tanque rapidamente, mas é surpreendido por alguns disparos vindo das escotilhas antes mesmo que chegue ao topo; mas mesmo com dois tiros perfurando seu peito Lee continua, lançando as granadas dentro do tanque e depois desabando de cima dele de encontro ao chão; o som dos gritos de desespero dos soldados dentro do tanque logo é abafado pelo da explosão, que faz com que o tanque comece a arder em chamas como uma pira de fogo.
- Naoto!!! Lee, rápido!!!!! – Grita nosso comandante Eikichi, um senhor por volta dos 40, para o médico da companhia.
Naoto que é o mais novo da companhia, salta sobre os escombros e se ajoelha junto a Lee, que agoniza no chão. Do lado oposto eu e Hiroki levantamos Matsuda do chão e começamos a trazê-lo para próximo de Naoto, que faz os primeiros socorros em Jun, da melhor forma possível.
Os minutos se passam, Katsuo e Hiroshi, nosso mecânico e provedor de suprimentos retornam para junto do grupo após irem checar os escombros onde Jun estava, trazendo apenas noticias que já sabíamos. Naoto então para com suas mãos sujas de sangue e o rosto mergulhado em desespero:
- Eu....Eu... Não posso mais... Não posso fazer mais nada... as balas perfuraram o pulmão... Eu... Eu...  – Fala ajoelhado ao lado de Jun, que já respira tortuosamente, enquanto os furos em seu peito se inundam de sangue.
Eikichi se aproxima e conforta Naoto, que agora já tem lagrimas escorrendo e se misturando com a chuva em seu rosto; todos estão desolados, mesmo sem sequer saber o nome dele, me sinto como se estivesse perdendo um amigo de longa data. Naoto mesmo abalado se torna agora para Matsuda, mas nada a se fazer, nosso armeiro já não tinha mais vida, os ferimentos foram graves demais, Naoto confirma que Matsuda morreu após o impacto do disparo do tanque, quando se chocou contra os restos dos prédios.
Um som baixo quase como um sussurro nos traz de volta a Lee, que tem em sua mão uma carta e um broche já desgastado:
- P-Por... favor... coman.. dante... entre... gue... para... m-minha... mãe... e diga... que... eu... a am...  – A voz de Lee se apaga assim que Eikichi toma em suas mãos o bilhete e o broche. 
Eikichi então resgata do peito de Lee sua identificação; “Shin Amamya”. O destino age de modo engraçado pois nossa confiança e fé realmente morreram junto com Shin.

P2 – Cheiro de Guerra


Chove... O cheiro de terra molhada não é o mesmo cheiro prazeroso que sentia em casa, este “cheiro” fede, se mistura a lama, sangue e corpos caídos pelo caminho; é um cheiro de morte.
Não sei bem a quanto tempo estou aqui, o tempo parece não ser algo contável aqui; horas as vezes parecem segundos, e minutos parecem anos. Parece que foi pela manhã que meu irmão estava comigo, rindo e dizendo que tudo ficaria bem... Mitsuo... mas já fazem alguns dias que não mais tenho essa confiança que sairei deste lugar, toda a confiança que tinha foi levada junto com meu irmão, se ainda puder confiar em alguém é no meu esquadrão, que mesmo depois de saberem quem sou, não me abandonaram ou repudiaram de forma alguma.
Silencio, sim o silencio, eu e Mitsuo costumávamos ficar assim depois dos treinos, sentados na grama e olhando as nuvens, mas o silencio aqui é bem diferente, as vezes pode parecer reconfortante, mas eu sei que quando tudo se silencia algo não vai bem; os inimigos sempre aparecem quando o silencio vem a tona. Neste silencio enlouquecedor a única coisa que posso fazer é esperar, encostada e escondida neste buraco que a chuva teima em tentar inundar junto com o sangue de vários corpos jogados no chão.
Medo... não me lembrava desta palavra ser tão forte, ser tão... tão... devastadora; ela parece controlar minhas ações desde que meu irmão se foi, acho que ela não é de todo mal, pois se estive viva, mesmo sendo a pior do meu batalhão, em parte o medo é culpado por isso; não que eu simplesmente me esconda e fique aqui ate que tudo acabe, mas sim que ele me faz esconder-me melhor, proteja-me melhor, movimente-me mais rapido, o medo de morrer faz com que eu seja mais precisa, não posso falhar em momento algum, erro significa me tornar companheira dos que estão caídos na lama.
Logo o silencio é quebrado pelo som do ranger do ferro e dos passos nas possas de lama; sim são eles, inimigos; pelo menos 10 deles e desta vez temos um problema ainda maior, um tanque; ótimo um tanque; um grupo de 12 soldados contra 10 e um tanque, teremos que agir rápido e ferozmente do contrario todos morreremos.
Esconder-se em meio a chuva não e um trabalho difícil; tocas, buracos e restos de casas e prédios servem perfeitamente como esconderijo, mas o melhor de tudo é que a chuva atrapalha a audição, o que facilita o trabalho de Jun, nosso atirador de elite, que esta sobre os escombros de um velho prédio plantado como um gárgula observando a tudo; e logo sua pericia vem a tona, os inimigos caem como sacos de arroz velho, envoltos em jatos de sangue e gritos de dor. Mas aquilo que não esperávamos que acontecesse tornou-se a corda no pescoço de Jun, o mesmo é percebido mesmo com toda a chuva cobrindo os sons e sua localização e logo vemos o canhão se mover e aponta para depois de nosso grupo; o furor sobe a cabeça de Ishida (melhor amigo e cunhado de Jun) que freneticamente se levanta contrario as ordens do capitão e começa a atirar no tanque antes que o mesmo dispare.
- Vocês não vão matar o Jun seus desgraçados, se estamos vivos é por causa dele!!!! – Grita Ishida sobre o som alto de seu fuzil.
Minha cabeça se preenche com um único pensamento... – “Hoje se eu falhar mesmo que por um segundo, irei morrer com certeza.”

P2 – Mitsuko Kushima


Nascida em 18 de Abril de 1922 em Hiroshima, Japão; filha de colhedores de arroz; Sayuri e Souji Kushima.
Os pais de Mitsuo sempre trabalharam na área de agricultura, especificamente com arroz e vieram a se tornar um dos mais renomados empreendedores da área entre os distritos de Hiroshima. Considerada uma família “rica” os Kushima sempre manteram a tradição e costumes quanto a colheita de arroz, Kendõ e Artes marciais, que era praticadas e passadas por gerações.
Mitsuko possui um irmão gêmeo Mitsuo Kushima, a qual ela é muito apegada, tão que Mitsuko entra no exercito japonês disfarçada como homem (com o pseudônimo de Gouko Kushima) para estar junto ao irmão, em uma então eminente guerra que acabaria por toma-lo dela, deixando-a “a deriva” em meio ao feroz combate.
                Mitsuko sempre treinou artes marciais junto ao irmão que por sua vez aprendia com o pai, no qual proibia Mitsuko de aprender por ser mulher; mas nada que impedisse Mitsuo de ensinar a irmã em um descampado próximo a sua casa, o que levou-os a desenvolver um laço de amizade e cumplicidade gigantesco, os dois faziam jus a teoria de “conectividade” entre gêmeos, Mitsuo sentia e adoecia quando Mitsuko se machucava ou tinha problemas de saúde, sempre sabiam quando um estava com problema e onde encontra-lo por mais escondido que este estivesse.
                Os dois se alistam ao 131° esquadrão de Hiroshima e são quase imediatamente mandados para a base naval de Kyoto, onde acabam por conhecer o terror, medo e horrores da guerra; na qual resistem bravamente até que Mitsuo acaba por falecer a 2 semanas do final da guerra, na qual levaria juntamente sua cidade natal Hiroshima, devido as inesperadas bombas atômicas, que levaram também Nagasaki aos escombros.
                Os fatos narrados por Mitsuko aconteceram alguns dias após o falecimento de Mitsuo a mesma ainda permanece presa a guerra, solitária e se martirizando pelo falecimento do irmão, mas acontecimentos levarão Mitsuko a novos horizontes.


“- Meu mundo começou a acabar, quando o meu honrado irmão faleceu em meus braços com um sereno sorriso no rosto.“
- Mitsuko Kushima

P2 - Nova Personagem!


Bem galerinha, demorei mas estou aqui, trazendo a nova personagem do circulo de Fim da Eternidade; e sim é "ELA", Mitsuko Kushima; uma jovem garota em meio a 2° Grande Guerra Mundial, enfrentando a perda de um irmão enquanto tenta sobreviver a guerra para voltar para os braços do pai e da mãe!

Espero que gostem pessoal, começaremos agora! :D