– Jun, Shin, Matsuda, Touya, Ishida,
Mitsuo... Quantos mais precisarão morrer ate que isso acabe?!! – Era a
pergunta que preenchia minha cabeça.
Mais uma vez
caminhamos sem rumo concreto, esperando apenas que esta maldita guerra sem
lógica acabe para que voltemos para casa. Chegamos a uma cidade próxima de
Yokosuka, onde apenas pequenas casas e restos do que era a cidade se encontram.
Comandante Eikichi, estranha um pouco o vazio da cidade e pede para que Hiroki,
que é o responsável pelas comunicações contate a base, mas assim que o mesmo
ergue o fone ao seu ouvido, um zunido corta o ar e logo Hiroki cai ao chão com
uma perfuração em sua cabeça fazendo seus óculos, se estilhaçarem.
-
Atirador!!!!! – Grita nosso comandante já em movimento em busca de abrigo.
Começo a
correr freneticamente, mas de forma abrupta caio, e mesmo tentando me levantar
não consigo ficar em pé, ao olhar minhas pernas, vejo a cor avermelhada tomar
conta da minha calça; mesmo ferida me arrasto em busca de abrigo, enquanto
posso ouvir disparos sobre mim, esperando que nenhum me acerte. Para minha
surpresa Katsuo, o maior e mais forte de todos nós, me ergue e começa a correr
usando seu corpo como escudo me protegendo dos disparos, finalmente chegamos
atrás de uma casa; me atento a sangue nas costas de Katsuo, mas o mesmo diz
para que eu não ligue que aquilo foi apenas de raspão. Eikichi grita de uma
casa próxima, que o atirador está no segundo andar do único prédio do local e que
precisaria de alguém posicionado em um ponto cego para acabar com o atirador.
Alguns minutos
se passam enquanto nosso grupo se apronta, Ryota nosso melhor atirador depois
de Jun irá se posicionar, enquanto nós daremos a cobertura necessária para
isso. Então Eikichi dá as ordens, imediatamente disparamos em direção ao 2°
andar do prédio, enquanto Ryota sai em disparada para uma casa em escombros de
onde o atirador não conseguirá vê-lo sem aparecer por completo, tornando-se um
alvo fácil para qualquer um de nós. Enquanto Ryota corre com toda sua
velocidade, o resto da companhia alveja o prédio, mas apenas Katsuo consegue
perceber um 2° atirador posicionado em algumas janelas mais a esquerda do outro,
o mesmo tem em sua mira Ryota que corre mais a frente, imediatamente Katsuo
passa por mim em disparada e gritando como um louco:
- Aqui!!!
Hey!!! Aqui seus filhos da mãe!!!! – Grita Katsuo correndo em direção ao centro
da rua e abanando os braços.
O atirador ao ver
o grande corpo de Katsuo aparecendo agitadamente na rua troca seu alvo e lança
seus disparos contra ele. Katsuo é acertado no abdômen o que faz cair e por
sorte se esquivar do segundo tiro que com certeza estouraria sua cabeça, troco
de alvo ao perceber de onde os disparos vem e derrubo o maldito atirador, que
cai do seu ponto de ataque, espalhando seu sangue pelo chão na queda.
Eikichi e
Hiroshi correm em direção a Katsuo enquanto eu e Naoto damos cobertura com uma
incessante chuva de disparos contra o atirador que se esconde imóvel dentro do
prédio. Ryota então se posiciona e conseguimos arrastar Katsuo até um local
seguro, está ferido, mas não corre riscos segundo Naoto; mas necessita de
cuidados.
Ficamos em
silencio aguardando a ação de Ryota; enfim um disparo, um único disparo. E a
sombra de alguém se forma em direção ao nosso esconderijo, ate percebermos
aliviados que é Ryota que se aproxima, enquanto o corpo do atirador fica
dependurado na janela de onde ele atacava.
Decidimos
passar a noite em algo que se parece uma farmácia, mas destruída pelos incontáveis
bombardeios; Naoto toma conta de Katsuo, que mesmo tendo recebido três tiros
pede para que Naoto verifique primeiro minha perna; que apesar de tudo não teve
danos graves, a bala foi retirada facilmente e não deixará qualquer seqüela na
minha perna. Enfim um pouco de descanso, Hiroshi prepara um pouco de misõ e um
pouco da já escassa ração militar; enquanto comandante Eikichi contata a base e
pede novas ordens. Eikichi ao terminar a conversa com a base nos avisa que teremos
suporte aéreo pela manhã e que a base naval e Yokosuka já está bem próxima, mas retruca em um
tom serio que ainda não estamos fora de risco, pois militares americanos
atracaram em ilhas próximas e se dirigem através de anfíbios até Yokosuka e
proximidades.
Mal saberíamos
que o amanhã talvez não chegasse para todos nós...

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