O Fim de uns é apenas o inicio de outros...

sexta-feira, janeiro 04, 2013

P2 – Cheiro de Morte


A noite se estende e parece mais longa que o de costume, deixamos Katsuo descansar mais enquanto Eikichi e Hiroshi fazem a primeira patrulha; quando finalmente consigo dormir um pouco já sou acordada por Eikichi; eu e Naoto somos a patrulha da vez. Acho que são por volta de 3 da manhã, Naoto fica observando o lado de fora encostado próximo a janela, enquanto faço esforço para me manter acordada, ate que sinto alguém se aproximar e sentar do meu lado; Katsuo, que logo após sentar-se me afaga a cabeça e calmamente fala:
- Durma um pouco mais, eu ajudo Naoto. – Katsuo fala com um tom sereno e com um sorriso fácil no rosto.
- Não! Você tem que descansar Katsuo-san você... – Ele me empurra a cabeça para baixo e responde.
- Nada disso, durma; afinal tenho que me preocupar com alguém por aqui, e depois do velho Ishida se foi, você é a única pessoa que me lembra minha família... me lembra minha irmã menor é você Mitsuko-chan -  Katsuo fala com um tom mais baixo e passa um tempo com um olhar distante.
- Sua irmã? Aposto que ela é bem mais boni...
- Ela faleceu a 3 meses no ultimo bombardeio a Kyoto.
As palavras de Katsuo me emudecem, Naoto finge não ouvir e se distancia, enquanto um clima pesado se estende enquanto os outros dormem. Mas apesar do clima consigo sentir-me protegida de novo, o rosto de Katsuo não emana pesar, pelo contrário uma serenidade e paz me preenchem ao observar sua face.
- M-Me desculpe. – Falo com pesar pelo comentário, mas Katsuo me afaga a cabeça novamente com um sorriso no rosto.
- Vá dormir, mesmo na guerra uma garota precisa descansar! – Mesmo resistindo um pouco, acabo sendo dobrada pelas palavras de Katsuo e retorno ao descanso.
O sono me traz as lembranças de Mitsuo, me traz bons momentos, mas que se tornam visões da morte de Mitsuo; o disparo, a agonia, o sangue, ele em meus braços... Não demoro em acordar assustada e tremula, mas logo começo a me acalmar enquanto Katsuo e o comandante Eikichi conversam observando o lado de fora e Hiroshi dorme próximo de mim, mas não vejo Naoto em lugar algum; indago sobre ele e o comandante diz que ele saiu a pouco para patrulhar as casas próximas. Os minutos se passam e estranhamente Naoto não retorna, Eikichi começa a se preocupar e prepara a todos para nos movermos dali caso seja preciso; antes que saiamos de nossa “base” um disparo ao longe pode ser ouvido rasgando o silencio da noite; Eikichi e eu saímos rapidamente em busca do autor do disparo, mas ao longe podemos ver Naoto retornando ao nosso esconderijo. Mas algo esta errado seu rosto esta manchado de sangue e Naoto anda de forma desorientada, Eikichi o recebe em seus braços e logo percebe um corte no olho esquerdo de Naoto, provavelmente feito por uma baioneta inimiga.
- Naoto!! Naoto!! O que houve??!! Responda soldado!! – Berra Eikichi segurando Naoto nos braços.
- *Puf Puf* Um batedor senhor *Puf Puf* eu dei cabo dele, mas ele... me pegou de surpresa *Puf Puf* - Responde Naoto ofegante e tremulo.
Um batedor... então as tropas inimigas devem estar perto, e com certeza são em numero maior que o nosso. Eikichi sem demora prepara a todos e remete ordens especificas para caso sejamos descobertos; sendo estreitamente especifico em uma ordem:
- Caso eu apareça perante o inimigo, nenhum de vocês irá fazer nada, pelo contrário irão para o mais distante possível, entendido?! – Fala em tom serio e obstinado.
Mesmo relutantes todos aceitaram a "ultima" ordem de nosso comandante, mas tenho certeza que nenhum terá coragem de segui-la quando for a hora. Preparamo-nos, tomamos nossos postos dentro de escombros e aguardamos pela segunda patrulha inimiga aparecer; até que junto com os primeiros raios de sol surgem por entre algumas arvores próximas os primeiros soldados americanos; eles se multiplicam entre as arvores, e o que pensávamos serem 10 ou 20, se tornam pelo menos 50 homens acompanhados de anfíbios, pelo menos 4 ou 5 deles e todos bem armados. Tentar combate direto é simplesmente suicídio; mas uma chamada do antigo radio de Hiroki nos traz um pouco de esperança novamente, nosso comandante já havia requisitado auxilio aéreo e os mesmos estariam aqui em 20 minutos, para acabar com o esquadrão inimigo, só precisaríamos marcar o local com fumaça; mas para isso iríamos precisar de literalmente, um sacrifício.

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