Logo todo
nosso batalhão começa a surgir de tocas e esconderijos feitos dos escombros da
cidade, aqueles fora do tanque caem facilmente, mas a maquinaria de aço nem se
quer se arranha com a saraivada de balas que meu grupo atira; logo aquilo que
Ishida mais tentou evitar se torna seu algoz, o disparo acerta Ishida que
simplesmente some do local onde estava e depois chove sobre nós em pedaços e
também a Matsuda que esta logo atrás de Ishida que cai mais adiante com sangue
cobrindo seu corpo por inteiro.
Touya e um dos
novatos com quem eu nunca me preocupei de perguntar o nome, mas que todos conheciam
como “Lee” saltam com granadas nas mãos sobre o tanque, buscando qualquer
fresta por onde possam lançá-las para dentro da caixa de ferro. Touya se
descuida ao abrir a escotilha do tanque e é surpreendido por um tiro que
acerta-o direto na garganta, levando ele e suas granadas ao chão; Jun ao menor
sinal de movimento na escotilha arranca a cabeça do soldado americano com um
tiro rápido e preciso, o tanque se move e novamente o canhão torna-se para Jun,
que desta vez não tem a sorte de que alguém detenha o disparo; o edifício onde
Jun estava se estilhaça e o resto que pendia em pé vem ao chão levantando uma
nuvem de poeira alta; em meio dela temos uma única certeza, Jun caiu.
Lee se apressa
e escala o tanque rapidamente, mas é surpreendido por alguns disparos vindo das
escotilhas antes mesmo que chegue ao topo; mas mesmo com dois tiros perfurando
seu peito Lee continua, lançando as granadas dentro do tanque e depois
desabando de cima dele de encontro ao chão; o som dos gritos de desespero dos
soldados dentro do tanque logo é abafado pelo da explosão, que faz com que o
tanque comece a arder em chamas como uma pira de fogo.
- Naoto!!! Lee,
rápido!!!!! – Grita nosso comandante Eikichi, um senhor por volta dos 40, para
o médico da companhia.
Naoto que é o
mais novo da companhia, salta sobre os escombros e se ajoelha junto a Lee, que
agoniza no chão. Do lado oposto eu e Hiroki levantamos Matsuda do chão e
começamos a trazê-lo para próximo de Naoto, que faz os primeiros socorros em
Jun, da melhor forma possível.
Os minutos se
passam, Katsuo e Hiroshi, nosso mecânico e provedor de suprimentos retornam
para junto do grupo após irem checar os escombros onde Jun estava, trazendo
apenas noticias que já sabíamos. Naoto então para com suas mãos sujas de sangue
e o rosto mergulhado em desespero:
- Eu....Eu...
Não posso mais... Não posso fazer mais nada... as balas perfuraram o pulmão...
Eu... Eu... – Fala ajoelhado ao lado de
Jun, que já respira tortuosamente, enquanto os furos em seu peito se inundam de
sangue.
Eikichi se
aproxima e conforta Naoto, que agora já tem lagrimas escorrendo e se misturando
com a chuva em seu rosto; todos estão desolados, mesmo sem sequer saber o nome
dele, me sinto como se estivesse perdendo um amigo de longa data. Naoto mesmo
abalado se torna agora para Matsuda, mas nada a se fazer, nosso armeiro já não
tinha mais vida, os ferimentos foram graves demais, Naoto confirma que Matsuda
morreu após o impacto do disparo do tanque, quando se chocou contra os restos
dos prédios.
Um som baixo
quase como um sussurro nos traz de volta a Lee, que tem em sua mão uma carta e
um broche já desgastado:
- P-Por...
favor... coman.. dante... entre... gue... para... m-minha... mãe... e diga...
que... eu... a am... – A voz de Lee se
apaga assim que Eikichi toma em suas mãos o bilhete e o broche.
Eikichi então resgata do peito de Lee sua
identificação; “Shin Amamya”. O destino age de modo engraçado pois nossa
confiança e fé realmente morreram junto com Shin.

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