O Fim de uns é apenas o inicio de outros...

quinta-feira, janeiro 03, 2013

P2 – Cheiro de Fogo


Logo todo nosso batalhão começa a surgir de tocas e esconderijos feitos dos escombros da cidade, aqueles fora do tanque caem facilmente, mas a maquinaria de aço nem se quer se arranha com a saraivada de balas que meu grupo atira; logo aquilo que Ishida mais tentou evitar se torna seu algoz, o disparo acerta Ishida que simplesmente some do local onde estava e depois chove sobre nós em pedaços e também a Matsuda que esta logo atrás de Ishida que cai mais adiante com sangue cobrindo seu corpo por inteiro.
Touya e um dos novatos com quem eu nunca me preocupei de perguntar o nome, mas que todos conheciam como “Lee” saltam com granadas nas mãos sobre o tanque, buscando qualquer fresta por onde possam lançá-las para dentro da caixa de ferro. Touya se descuida ao abrir a escotilha do tanque e é surpreendido por um tiro que acerta-o direto na garganta, levando ele e suas granadas ao chão; Jun ao menor sinal de movimento na escotilha arranca a cabeça do soldado americano com um tiro rápido e preciso, o tanque se move e novamente o canhão torna-se para Jun, que desta vez não tem a sorte de que alguém detenha o disparo; o edifício onde Jun estava se estilhaça e o resto que pendia em pé vem ao chão levantando uma nuvem de poeira alta; em meio dela temos uma única certeza, Jun caiu.
Lee se apressa e escala o tanque rapidamente, mas é surpreendido por alguns disparos vindo das escotilhas antes mesmo que chegue ao topo; mas mesmo com dois tiros perfurando seu peito Lee continua, lançando as granadas dentro do tanque e depois desabando de cima dele de encontro ao chão; o som dos gritos de desespero dos soldados dentro do tanque logo é abafado pelo da explosão, que faz com que o tanque comece a arder em chamas como uma pira de fogo.
- Naoto!!! Lee, rápido!!!!! – Grita nosso comandante Eikichi, um senhor por volta dos 40, para o médico da companhia.
Naoto que é o mais novo da companhia, salta sobre os escombros e se ajoelha junto a Lee, que agoniza no chão. Do lado oposto eu e Hiroki levantamos Matsuda do chão e começamos a trazê-lo para próximo de Naoto, que faz os primeiros socorros em Jun, da melhor forma possível.
Os minutos se passam, Katsuo e Hiroshi, nosso mecânico e provedor de suprimentos retornam para junto do grupo após irem checar os escombros onde Jun estava, trazendo apenas noticias que já sabíamos. Naoto então para com suas mãos sujas de sangue e o rosto mergulhado em desespero:
- Eu....Eu... Não posso mais... Não posso fazer mais nada... as balas perfuraram o pulmão... Eu... Eu...  – Fala ajoelhado ao lado de Jun, que já respira tortuosamente, enquanto os furos em seu peito se inundam de sangue.
Eikichi se aproxima e conforta Naoto, que agora já tem lagrimas escorrendo e se misturando com a chuva em seu rosto; todos estão desolados, mesmo sem sequer saber o nome dele, me sinto como se estivesse perdendo um amigo de longa data. Naoto mesmo abalado se torna agora para Matsuda, mas nada a se fazer, nosso armeiro já não tinha mais vida, os ferimentos foram graves demais, Naoto confirma que Matsuda morreu após o impacto do disparo do tanque, quando se chocou contra os restos dos prédios.
Um som baixo quase como um sussurro nos traz de volta a Lee, que tem em sua mão uma carta e um broche já desgastado:
- P-Por... favor... coman.. dante... entre... gue... para... m-minha... mãe... e diga... que... eu... a am...  – A voz de Lee se apaga assim que Eikichi toma em suas mãos o bilhete e o broche. 
Eikichi então resgata do peito de Lee sua identificação; “Shin Amamya”. O destino age de modo engraçado pois nossa confiança e fé realmente morreram junto com Shin.

Nenhum comentário:

Postar um comentário