Saímos do
quarto onde Ryota estava mudos, trêmulos e sem sequer cruzar olhares; continuo
com a imagem de Ryota em minha mente; fico vagando se rumo pelos corredores com
Naoto em meu encalço até ser parada por um oficial, o nome em sua identificação
logo me faria “acordar” ao ser lido; Mimura, Shingen Mimura; um renomado
oficial do alto calão da marinha japonesa.
- Soldado
Sasaki, soldado Kushima! Apresentem-se a área de pouso, os dois foram exumados
de seus cargos devido a incapacidade de combate; arrumem suas coisas
imediatamente! Vocês voltarão para casa. – Fala com tom alto e robusto.
- S-Sim
senhor! Entendido senhor! – Retrucamos juntos ao almirante de esquadra.
Por este
momento esquecemos-nos de qualquer problema e um sorriso se abre em meu rosto e
no de Naoto, nos apressamos aos nossos aposentos dentro da ala medica e
empacotamos tudo; enfim voltarei a Hiroshima! Naoto possui um sorriso largo em
seu rosto que mal pode esconder; durante algumas noites conversei com ele; ele
esta ansioso para rever os irmãos menores e a mãe, já que seu pai ainda
permanece em combate. Logo estamos com tudo empacotado e pronto para a saída e
sem demorar o piloto juntamente ao almirante vem ao nosso encontro; somos um
total de 12 soldados voltando para casa, agora basta esperar, enfim logo estarei em
casa!
O vôo é um
pouco demorado, voamos por uma rota fora das áreas de conflito e invasão por
parte dos aliados; dormir se torna impossível por causa da ansiedade e a cada
parada onde desembarcam soldados mais fico nervosa; e logo apenas restam
Naoto e Eu; eu descerei primeiro Hiroshima é a ultima parada, sendo Nagasaki a
parada final para o vôo onde Naoto poderá enfim rever a família.
Meu sangue
pulsa, boca seca rapidamente e mal consigo me contentar pela alegria de começar
ver minha terra natal enquanto sobrevoamos a área rural; o avião sem demora
pousa e então me desperso de Naoto, que parte me deixando a promessa de uma
visita assim que toda essa loucura terminar. Alguns minutos, é apenas isso que
me separa de casa; de meu pai, minha mãe, minha família. O veiculo de
transporte me leva juntamente com dois soldados de escolta, que rapidamente
entram no distrito onde moro . Finalmente a visão de minha casa, intocada,
perfeita, assim como no dia que eu e Mitsuo partimos... Mitsuo... gostaria que
você estivesse voltando comigo...
O carro para
abruptamente e antes mesmo que qualquer um desça, salto para fora e corro ao
encontro de minha mãe que ainda não me reconhecera até abraçá-la com todas as
minhas forças e despejar lagrimas em seu kimono como uma cachoeira.
- Mitsuko!!! Vocês
voltaram!! Eu rezei aos deuses que você e se irmão voltassem bem, e eles me
ouviram!!! – Fala minha mãe enquanto as lagrimas escorrem pelo rosto dela
descontroladamente.
- Onde esta
Mitsuo?? Onde Mitsuko?? Quero ver o meu filho! – Fala minha mãe buscando entre
os homens enfardados por meu irmão.
Minha voz fica
presa na garganta e a única ação que tenho é de abraçar mais forte ainda minha
mãe, que continua a perguntar sobre Mitsuo incessantemente. E antes que eu
possa olhá-la nos olhos e contar o que aconteceu um clarão chama a atenção de
todos que estavam ali; uma gigantesca bola de luz, um pequeno sol havia se
formado sobre nossa cidade. Um estrondo ensurdecedor é ouvido por nos que caímos no chão com as mãos sobre os ouvidos e em seguida somos lançados para longe com uma força de impacto tremenda, ela também derruba as paredes das casas e arranca arvores menores pela raiz;
levanto-me buscando entender do que se tratava, até me deparar com o que eu
mais temia; o pequeno sol, agora arde em chamas e uma gigantesca coluna de
fumaça com formato de cogumelo se forma acima das chamas sobre nossa cidade.
Minha cabeça
se nega a processar as informações, meu corpo rejeita qualquer tipo de meio de
acreditar naquilo, mas inevitavelmente minha mente se torna um vazio e apenas
uma única palavra vem a tona...Bomba. Mesmo sem saber exatamente como uma bomba
poderia causar tamanha explosão,tudo indicava a isso e minha mente me mandava
compulsivamente apenas o mesmo pensamento: “Uma bomba, Uma bomba, Uma bomba”, a única ação que consigo
realizar e a de levantar minha mãe e tentar me proteger; mas ao tornar meu
olhar novamente para a explosão, tudo se encaixa e a palavra “bomba” se torna
uma frase negra e obscura:
Eu
vou morrer.
Meus olhos se
fecham devagar enquanto abraço minha mãe o mais forte possível, as chamas avançam
devastando a tudo e todos, posso sentir seu calor se aproximando, minha pele
ardendo e meu corpo se preparando para o inevitável, mas como se uma brisa
tocasse meu rosto, toda a agonia e dor que sentia some. Abro os olhos e minha
visão parece mentir para o meu cérebro, estou em um salão, junto a um velho e
outras duas figuras.
-Onde...? –
Falo enquanto tento trazer a logica de volta a minha cabeça, mas antes que
indague qualquer coisa o velho senhor me interrompe com sua voz grave e poderosa.
- Humana,
Mitsuko Kushima; seu mundo está chegando ao fim, a morte impera em
tua existência; teu mundo humana será tomado pela morte, apenas uma pessoa pode
impedir este fim eminente e salvar a todos do limbo eterno.... e esta pessoa é você.

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