O Fim de uns é apenas o inicio de outros...

sábado, janeiro 12, 2013

P2 Final - Sem Cheiro


Saímos do quarto onde Ryota estava mudos, trêmulos e sem sequer cruzar olhares; continuo com a imagem de Ryota em minha mente; fico vagando se rumo pelos corredores com Naoto em meu encalço até ser parada por um oficial, o nome em sua identificação logo me faria “acordar” ao ser lido; Mimura, Shingen Mimura; um renomado oficial do alto calão da marinha japonesa.
- Soldado Sasaki, soldado Kushima! Apresentem-se a área de pouso, os dois foram exumados de seus cargos devido a incapacidade de combate; arrumem suas coisas imediatamente! Vocês voltarão para casa. – Fala com tom alto e robusto.
- S-Sim senhor! Entendido senhor! – Retrucamos juntos ao almirante de esquadra.
Por este momento esquecemos-nos de qualquer problema e um sorriso se abre em meu rosto e no de Naoto, nos apressamos aos nossos aposentos dentro da ala medica e empacotamos tudo; enfim voltarei a Hiroshima! Naoto possui um sorriso largo em seu rosto que mal pode esconder; durante algumas noites conversei com ele; ele esta ansioso para rever os irmãos menores e a mãe, já que seu pai ainda permanece em combate. Logo estamos com tudo empacotado e pronto para a saída e sem demorar o piloto juntamente ao almirante vem ao nosso encontro; somos um total de 12 soldados voltando para casa, agora basta esperar, enfim logo estarei em casa!
O vôo é um pouco demorado, voamos por uma rota fora das áreas de conflito e invasão por parte dos aliados; dormir se torna impossível por causa da ansiedade e a cada parada onde desembarcam soldados mais fico nervosa; e logo apenas restam Naoto e Eu; eu descerei primeiro Hiroshima é a ultima parada, sendo Nagasaki a parada final para o vôo onde Naoto poderá enfim rever a família.
Meu sangue pulsa, boca seca rapidamente e mal consigo me contentar pela alegria de começar ver minha terra natal enquanto sobrevoamos a área rural; o avião sem demora pousa e então me desperso de Naoto, que parte me deixando a promessa de uma visita assim que toda essa loucura terminar. Alguns minutos, é apenas isso que me separa de casa; de meu pai, minha mãe, minha família. O veiculo de transporte me leva juntamente com dois soldados de escolta, que rapidamente entram no distrito onde moro . Finalmente a visão de minha casa, intocada, perfeita, assim como no dia que eu e Mitsuo partimos... Mitsuo... gostaria que você estivesse voltando comigo...
O carro para abruptamente e antes mesmo que qualquer um desça, salto para fora e corro ao encontro de minha mãe que ainda não me reconhecera até abraçá-la com todas as minhas forças e despejar lagrimas em seu kimono como uma cachoeira.
- Mitsuko!!! Vocês voltaram!! Eu rezei aos deuses que você e se irmão voltassem bem, e eles me ouviram!!! – Fala minha mãe enquanto as lagrimas escorrem pelo rosto dela descontroladamente.
- Onde esta Mitsuo?? Onde Mitsuko?? Quero ver o meu filho! – Fala minha mãe buscando entre os homens enfardados por  meu irmão.
Minha voz fica presa na garganta e a única ação que tenho é de abraçar mais forte ainda minha mãe, que continua a perguntar sobre Mitsuo incessantemente. E antes que eu possa olhá-la nos olhos e contar o que aconteceu um clarão chama a atenção de todos que estavam ali; uma gigantesca bola de luz, um pequeno sol havia se formado sobre nossa cidade. Um estrondo ensurdecedor é ouvido por nos que caímos no chão com as mãos sobre os ouvidos e em seguida somos lançados para longe com uma força de impacto tremenda, ela também derruba as paredes das casas e arranca arvores menores pela raiz; levanto-me buscando entender do que se tratava, até me deparar com o que eu mais temia; o pequeno sol, agora arde em chamas e uma gigantesca coluna de fumaça com formato de cogumelo se forma acima das chamas sobre nossa cidade.
Minha cabeça se nega a processar as informações, meu corpo rejeita qualquer tipo de meio de acreditar naquilo, mas inevitavelmente minha mente se torna um vazio e apenas uma única palavra vem a tona...Bomba. Mesmo sem saber exatamente como uma bomba poderia causar tamanha explosão,tudo indicava a isso e minha mente me mandava compulsivamente apenas o mesmo pensamento: “Uma bomba, Uma bomba, Uma bomba”, a única ação que consigo realizar e a de levantar minha mãe e tentar me proteger; mas ao tornar meu olhar novamente para a explosão, tudo se encaixa e a palavra “bomba” se torna uma frase negra e obscura:

Eu vou morrer.

Meus olhos se fecham devagar enquanto abraço minha mãe o mais forte possível, as chamas avançam devastando a tudo e todos, posso sentir seu calor se aproximando, minha pele ardendo e meu corpo se preparando para o inevitável, mas como se uma brisa tocasse meu rosto, toda a agonia e dor que sentia some. Abro os olhos e minha visão parece mentir para o meu cérebro, estou em um salão, junto a um velho e outras duas figuras.
-Onde...? – Falo enquanto tento trazer a logica de volta a minha cabeça, mas antes que indague qualquer coisa o velho senhor me interrompe com sua voz grave e poderosa.
- Humana, Mitsuko Kushima; seu mundo está chegando ao fim, a morte impera em tua existência; teu mundo humana será tomado pela morte, apenas uma pessoa pode impedir este fim eminente e salvar a todos do limbo eterno.... e esta pessoa é você.

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