O Fim de uns é apenas o inicio de outros...

quinta-feira, janeiro 03, 2013

P2 – Cheiro de Guerra


Chove... O cheiro de terra molhada não é o mesmo cheiro prazeroso que sentia em casa, este “cheiro” fede, se mistura a lama, sangue e corpos caídos pelo caminho; é um cheiro de morte.
Não sei bem a quanto tempo estou aqui, o tempo parece não ser algo contável aqui; horas as vezes parecem segundos, e minutos parecem anos. Parece que foi pela manhã que meu irmão estava comigo, rindo e dizendo que tudo ficaria bem... Mitsuo... mas já fazem alguns dias que não mais tenho essa confiança que sairei deste lugar, toda a confiança que tinha foi levada junto com meu irmão, se ainda puder confiar em alguém é no meu esquadrão, que mesmo depois de saberem quem sou, não me abandonaram ou repudiaram de forma alguma.
Silencio, sim o silencio, eu e Mitsuo costumávamos ficar assim depois dos treinos, sentados na grama e olhando as nuvens, mas o silencio aqui é bem diferente, as vezes pode parecer reconfortante, mas eu sei que quando tudo se silencia algo não vai bem; os inimigos sempre aparecem quando o silencio vem a tona. Neste silencio enlouquecedor a única coisa que posso fazer é esperar, encostada e escondida neste buraco que a chuva teima em tentar inundar junto com o sangue de vários corpos jogados no chão.
Medo... não me lembrava desta palavra ser tão forte, ser tão... tão... devastadora; ela parece controlar minhas ações desde que meu irmão se foi, acho que ela não é de todo mal, pois se estive viva, mesmo sendo a pior do meu batalhão, em parte o medo é culpado por isso; não que eu simplesmente me esconda e fique aqui ate que tudo acabe, mas sim que ele me faz esconder-me melhor, proteja-me melhor, movimente-me mais rapido, o medo de morrer faz com que eu seja mais precisa, não posso falhar em momento algum, erro significa me tornar companheira dos que estão caídos na lama.
Logo o silencio é quebrado pelo som do ranger do ferro e dos passos nas possas de lama; sim são eles, inimigos; pelo menos 10 deles e desta vez temos um problema ainda maior, um tanque; ótimo um tanque; um grupo de 12 soldados contra 10 e um tanque, teremos que agir rápido e ferozmente do contrario todos morreremos.
Esconder-se em meio a chuva não e um trabalho difícil; tocas, buracos e restos de casas e prédios servem perfeitamente como esconderijo, mas o melhor de tudo é que a chuva atrapalha a audição, o que facilita o trabalho de Jun, nosso atirador de elite, que esta sobre os escombros de um velho prédio plantado como um gárgula observando a tudo; e logo sua pericia vem a tona, os inimigos caem como sacos de arroz velho, envoltos em jatos de sangue e gritos de dor. Mas aquilo que não esperávamos que acontecesse tornou-se a corda no pescoço de Jun, o mesmo é percebido mesmo com toda a chuva cobrindo os sons e sua localização e logo vemos o canhão se mover e aponta para depois de nosso grupo; o furor sobe a cabeça de Ishida (melhor amigo e cunhado de Jun) que freneticamente se levanta contrario as ordens do capitão e começa a atirar no tanque antes que o mesmo dispare.
- Vocês não vão matar o Jun seus desgraçados, se estamos vivos é por causa dele!!!! – Grita Ishida sobre o som alto de seu fuzil.
Minha cabeça se preenche com um único pensamento... – “Hoje se eu falhar mesmo que por um segundo, irei morrer com certeza.”

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