Chove... O
cheiro de terra molhada não é o mesmo cheiro prazeroso que sentia em casa, este
“cheiro” fede, se mistura a lama, sangue e corpos caídos pelo caminho; é um
cheiro de morte.
Não sei bem a
quanto tempo estou aqui, o tempo parece não ser algo contável aqui; horas as
vezes parecem segundos, e minutos parecem anos. Parece que foi pela manhã que
meu irmão estava comigo, rindo e dizendo que tudo ficaria bem... Mitsuo... mas
já fazem alguns dias que não mais tenho essa confiança que sairei deste lugar,
toda a confiança que tinha foi levada junto com meu irmão, se ainda puder
confiar em alguém é no meu esquadrão, que mesmo depois de saberem quem sou, não
me abandonaram ou repudiaram de forma alguma.
Silencio, sim
o silencio, eu e Mitsuo costumávamos ficar assim depois dos treinos, sentados
na grama e olhando as nuvens, mas o silencio aqui é bem diferente, as vezes
pode parecer reconfortante, mas eu sei que quando tudo se silencia algo não vai
bem; os inimigos sempre aparecem quando o silencio vem a tona. Neste silencio
enlouquecedor a única coisa que posso fazer é esperar, encostada e escondida
neste buraco que a chuva teima em tentar inundar junto com o sangue de vários
corpos jogados no chão.
Medo... não me
lembrava desta palavra ser tão forte, ser tão... tão... devastadora; ela parece
controlar minhas ações desde que meu irmão se foi, acho que ela não é de todo
mal, pois se estive viva, mesmo sendo a pior do meu batalhão, em parte o medo é
culpado por isso; não que eu simplesmente me esconda e fique aqui ate que tudo
acabe, mas sim que ele me faz esconder-me melhor, proteja-me melhor, movimente-me
mais rapido, o medo de morrer faz com que eu seja mais precisa, não posso
falhar em momento algum, erro significa me tornar companheira dos que estão
caídos na lama.
Logo o
silencio é quebrado pelo som do ranger do ferro e dos passos nas possas de
lama; sim são eles, inimigos; pelo menos 10 deles e desta vez temos um problema
ainda maior, um tanque; ótimo um tanque; um grupo de 12 soldados contra 10 e um
tanque, teremos que agir rápido e ferozmente do contrario todos morreremos.
Esconder-se em
meio a chuva não e um trabalho difícil; tocas, buracos e restos de casas e
prédios servem perfeitamente como esconderijo, mas o melhor de tudo é que a
chuva atrapalha a audição, o que facilita o trabalho de Jun, nosso atirador de
elite, que esta sobre os escombros de um velho prédio plantado como um gárgula
observando a tudo; e logo sua pericia vem a tona, os inimigos caem como sacos
de arroz velho, envoltos em jatos de sangue e gritos de dor. Mas aquilo que não
esperávamos que acontecesse tornou-se a corda no pescoço de Jun, o mesmo é
percebido mesmo com toda a chuva cobrindo os sons e sua localização e logo
vemos o canhão se mover e aponta para depois de nosso grupo; o furor sobe a
cabeça de Ishida (melhor amigo e cunhado de Jun) que freneticamente se levanta
contrario as ordens do capitão e começa a atirar no tanque antes que o mesmo
dispare.
- Vocês não
vão matar o Jun seus desgraçados, se estamos vivos é por causa dele!!!! – Grita
Ishida sobre o som alto de seu fuzil.
Minha cabeça
se preenche com um único pensamento... – “Hoje se eu falhar mesmo que por um
segundo, irei morrer com certeza.”

Nenhum comentário:
Postar um comentário