Hiryu;
“Dragões do Céu”, acho que não poderia haver nome melhor para os aviões que
começam a trazer as fogo e cinzas aos nossos inimigos; mas como qualquer
dragão suas chamas são incontroláveis, e agora estamos presos em meio delas.
Os gigantes
sobre nossas cabeças lançam incontáveis bombas sobre o local demarcado com a
fumaça laranja, as bombas incendiarias começam a pulverizar a todo o esquadrão
inimigo, destruindo-os por completo; mas as bombas não cessam mesmo após todos
os inimigos serem engolidos pelas chamas; e continuam a cair em nossa direção.
Nossa única esperança seria alcançar alguma casa para servir de cobertura. Começamos
a correr o mais rápido possível, Naoto se lança dentro de um porão de uma casa
em escombros e grita a todos nós que façamos o mesmo; mas minha movimentação
está reduzida o tiro que levei na perna começa a me causar problemas; mas vendo
que começo a ficar para trás Ryota me ergue nos braços e começa a correr em
disparada se lançando comigo para dentro do porão. “Estamos salvos!” penso
imediatamente, mas ainda não vejo Katsuo dentro do porão e só após alguns
segundos percebo que temos um grave problema as chamas nos engolirão já que não
poderemos barrar o fogo na entrada; então Katsuo para diante da entrada a cobre
com alguns restos de madeira e fala gentilmente a nós três cobrindo a entrada
com o corpo:
-
Sobrevivam... e Mitsuko nee-chan, seja feliz!
Antes mesmo que
possa falar algo os estrondos abafam minha voz, um grande clarão ofusca minha
visão e os impactos nos lançam para o fundo do porão me fazendo perder a consciência,
a ultima coisa que consigo ver antes de apagar totalmente é o rosto de meu
irmão sorrindo ao longe.
Dor... é a
única coisa que me faz ter certeza de não estar morta; ainda não consigo abrir
os olhos direito, mas... hum... esse cheiro... parece com o cheiro do arroz de
casa... e é, é o arroz que minha família produz, uma pequena porção, junto a sopa
de misõ e tofu... mas, onde estou? O que aconteceu??!
- Katsuo!!! –
Grito enquanto me ergo da maca assustada ofegante, meu corpo cheio de bandagens
e curativos e finalmente percebo onde estou. Uma enfermaria militar. Ainda
agitada ouço uma voz conhecida que soa em tom gentil e suave:
- Opa, opa!
Calma ai Tsu-Chan, assim os cortes na sua perna vão abrir! – É Naoto que fala
de uma cama próxima com uma bandagem cobrindo o lado esquerdo de seu rosto e um
prato de sopa quente em mãos.
-
Naoto! Que bom que você está bem! Onde está Ryota??! E... e Katsuo...? – Falo de
forma preocupada, até chegar no nome de Katsuo, que faz com que as palavras se
engasguem em minha garganta.
Naoto
apenas sacode a cabeça negativamente quando falo o nome de Katsuo, e de forma
um tanto lamuriosa ele me fala sobre Ryota:
-
Ryota está vivo mas... é melhor que veja por você mesma.
Naoto
me ajuda a sentar em uma cadeira de rodas e me leva até um quarto mais ao fundo do
hospital, onde dentro uma figura se mantém sentada imóvel em uma
cadeira voltada para a janela onde os fracos raios de sol entram iluminando o
quarto por completo. Me aproximo devagar até perceber que é Ryota que se
encontra sentado, me alegro por vê-lo a salvo e com o mínimo de ferimentos, mas
logo toda minha alegria se torna frustração, tristeza e um profundo pesar que
imediatamente transbordam incontrolavelmente através do meu rosto.
-
Quando estávamos dentro do porão e a bomba explodiu, uma das vigas de sustentação
caiu sobre ele e acertou sua cabeça... Os médicos fizeram o que podiam nesses
dois últimos dias, mas Ryota acabou dessa forma... – Naoto fala atrás de mim,
mas mesmo sem vê-lo posso dizer que ele tem lagrimas nos olhos.
Ryota
me percebe e olha para mim diretamente, e logo em seguida para Naoto e mesmo
sem movimentar nada mais que os olhos, Ryota nos faz desabar diante dele e
perdermos todas as forças que ainda nos restava, quando os seus olhos se comprimem
em alegria por nos ver sãos e salvos, e uma única gota de verdadeira alegria
escorre pelo seu rosto ate cair e tocar o assoalho seco de madeira.

Nenhum comentário:
Postar um comentário