O Fim de uns é apenas o inicio de outros...

quinta-feira, janeiro 10, 2013

P2 - Cheiro de Arroz


Hiryu; “Dragões do Céu”, acho que não poderia haver nome melhor para os aviões que começam a trazer as fogo e cinzas aos nossos inimigos; mas como qualquer dragão suas chamas são incontroláveis, e agora estamos presos em meio delas.
Os gigantes sobre nossas cabeças lançam incontáveis bombas sobre o local demarcado com a fumaça laranja, as bombas incendiarias começam a pulverizar a todo o esquadrão inimigo, destruindo-os por completo; mas as bombas não cessam mesmo após todos os inimigos serem engolidos pelas chamas; e continuam a cair em nossa direção. Nossa única esperança seria alcançar alguma casa para servir de cobertura. Começamos a correr o mais rápido possível, Naoto se lança dentro de um porão de uma casa em escombros e grita a todos nós que façamos o mesmo; mas minha movimentação está reduzida o tiro que levei na perna começa a me causar problemas; mas vendo que começo a ficar para trás Ryota me ergue nos braços e começa a correr em disparada se lançando comigo para dentro do porão. “Estamos salvos!” penso imediatamente, mas ainda não vejo Katsuo dentro do porão e só após alguns segundos percebo que temos um grave problema as chamas nos engolirão já que não poderemos barrar o fogo na entrada; então Katsuo para diante da entrada a cobre com alguns restos de madeira e fala gentilmente a nós três cobrindo a entrada com o corpo:
- Sobrevivam... e Mitsuko nee-chan, seja feliz!
Antes mesmo que possa falar algo os estrondos abafam minha voz, um grande clarão ofusca minha visão e os impactos nos lançam para o fundo do porão me fazendo perder a consciência, a ultima coisa que consigo ver antes de apagar totalmente é o rosto de meu irmão sorrindo ao longe.
Dor... é a única coisa que me faz ter certeza de não estar morta; ainda não consigo abrir os olhos direito, mas... hum... esse cheiro... parece com o cheiro do arroz de casa... e é, é o arroz que minha família produz, uma pequena porção, junto a sopa de misõ e tofu... mas, onde estou? O que aconteceu??!
- Katsuo!!! – Grito enquanto me ergo da maca assustada ofegante, meu corpo cheio de bandagens e curativos e finalmente percebo onde estou. Uma enfermaria militar. Ainda agitada ouço uma voz conhecida que soa em tom gentil e suave:
- Opa, opa! Calma ai Tsu-Chan, assim os cortes na sua perna vão abrir! – É Naoto que fala de uma cama próxima com uma bandagem cobrindo o lado esquerdo de seu rosto e um prato de sopa quente em mãos.
                - Naoto! Que bom que você está bem! Onde está Ryota??! E... e Katsuo...? – Falo de forma preocupada, até chegar no nome de Katsuo, que faz com que as palavras se engasguem em minha garganta.
                Naoto apenas sacode a cabeça negativamente quando falo o nome de Katsuo, e de forma um tanto lamuriosa ele me fala sobre Ryota:
                - Ryota está vivo mas... é melhor que veja por você mesma.
                Naoto me ajuda a sentar em uma cadeira de rodas e me leva até um quarto mais ao fundo do hospital, onde dentro uma figura se mantém sentada imóvel em uma cadeira voltada para a janela onde os fracos raios de sol entram iluminando o quarto por completo. Me aproximo devagar até perceber que é Ryota que se encontra sentado, me alegro por vê-lo a salvo e com o mínimo de ferimentos, mas logo toda minha alegria se torna frustração, tristeza e um profundo pesar que imediatamente transbordam incontrolavelmente através do meu rosto.
                - Quando estávamos dentro do porão e a bomba explodiu, uma das vigas de sustentação caiu sobre ele e acertou sua cabeça... Os médicos fizeram o que podiam nesses dois últimos dias, mas Ryota acabou dessa forma... – Naoto fala atrás de mim, mas mesmo sem vê-lo posso dizer que ele tem lagrimas nos olhos.
                Ryota me percebe e olha para mim diretamente, e logo em seguida para Naoto e mesmo sem movimentar nada mais que os olhos, Ryota nos faz desabar diante dele e perdermos todas as forças que ainda nos restava, quando os seus olhos se comprimem em alegria por nos ver sãos e salvos, e uma única gota de verdadeira alegria escorre pelo seu rosto ate cair e tocar o assoalho seco de madeira. 

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